Salve, amigos
o prometido é devido e finalmente cá está um novo post nesta distinta página. Provavelmente o último do ano, após problemas técnicos que retardaram sua feitura e blábláblá…
O PAU pinta e borda, é pura arte, e, como não poderia deixar de ser, faz-se musical por natureza – ai, ai, se eu te pego! Enquanto o mundo vai sendo afogado em indefectíveis listinhas, seja do melhor e/ou do pior do ano, seja de pedidos para Papai Noel ou para 2012, tratarei aqui de um único momento.
Eu vi e ouvi, ao vivo, A Voz. Eu sou o primeiro a questionar: quem é você para falar sobre música? Eu mesmo respondo: ninguém. Agora, depois de ler alguém ser pago para escrever que determinado cd está repleto de músicas ruins, mas sua cotação é regular, dou-me o direito, ó pá!

Fantástica - e essa música (cliquem na imagem, gafanhotos) deixa a gente comovido como o diabo, seu Drummond.
Virgínia Rodrigues, seu nome surge apenas no quarto parágrafo deste texto não por qualquer implicância: é justamente porque seu talento precede qualquer necessidade de apresentação formal (e pela falta de qualidade do escriba). E quando a música fala por si, o palco está montado.
Ela não é queridinha da mídia, não é badalada pela imprensa dita especializada – lembrar-se-ão do seu surgimento, quando apadrinhada por Caetano Veloso – e não lotou o teatro em seu show. Azar de quem ainda não sabe e não viu a maior voz da canção brasileira em ação.
Durante o apedrejamento de que sou alvo agora, releiam o que eu escrevi. Não estou falando de gostos pessoais (“a melhor cantora na minha opinião é…”) ou de qualidades agregadas (“é a melhor cantora porque soma interpretação, repertório, musicalidade, etc.”). Faço uma constatação. Ela, a dona da voz, impõe-se como um poema-arroubo, tão em falta nas páginas e telas de nossas métricas frias ou falsas iconoclastias.
Acompanhada pelo violão de Alex Mesquita e, eventualmente, pela percussão de Marco Lobo, Virgínia encantou uma série de canções de deixar boquiaberto o mais distante ouvinte e arrancar – mais de uma vez – longuíssimos aplausos em cena aberta. Eu não sei como se faz uma cantora, apesar de morarmos no dito país das cantoras, mas vi uma de verdade.
Eu poderia me prolongar, mas me perderia em (mais) clichês, como a influência do tempero da Bahia e da força dos Orixás no seu canto potente. E tudo que ela não merece é ser mencionada em meio a clichês, deixados de lado inclusive na construção do roteiro do espetáculo.
Se ainda não ouviram esta dama da canção (sua benção, Dona Ivone Lara), parem de perder tempo com estas vazias palavras ao vento e cliquem nos links por aqui espalhados. No mais, uma expressão usada pela própria Virgínia Rodrigues define eu pretendi dizer sobre ela: “é luxo só”.
Abraços,
[Sicrano]
P.s.1: é provável que este texto esteja uma merda, feito em um desmerecido bate-pronto e longe da calor do espetáculo. Mas a emoção inteira permanece.
P.s.2: como os (as) nobres leitores (as) já sabem, clicando nas imagenzinhas, de autoria desde que voz escreve, mais canções para seu deleite.
P.s.3: já que estamos falando de música, você ainda não ouviu Recanto? Deveria, Neguinho…
P.s.4: Frank Sinatra yada, yada, yada… Atchim!
P.s.5: o ano em que perdemos Cesária Évora.
P.s.6: aquele abraço, 2011. E que venha 2012 – ou melhor, venhamos todos para um novo ano. Muito Pau nessas mesas do Brasil e do mundo. Felicidades a todos!
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