Da ideologia olariense ao futebol de verdade

Salve, amigos

Nunca antes na história deste PAU falou-se tanto do futebol. E mais uma vez nos voltamos ao popular esporte bretão. Contudo, pela primeira vez, trataremos do verdadeiro futebol – e não esta pantomima que nos vendem duas vezes por semana via tevê.

Com o mês de janeiro, além do calor, do pré-carnaval e das tragédias anunciadas com as quais os políticos insistem em nos brindar (e nós teimamos em não combatê-los), iniciou-se a temporada futebolística nacional.

No Rio de Janeiro, nossa base, o Campeonato Carioca (que é, de fato, fluminense) começou em um quente tarde de quinta-feira, feriado, quando os deuses dos futebol ofereceram um clássico suburbano, Olaria e Madureira, no tradicional palco da Rua Bariri.

Uma viagem pelo Rio

Na Bariri, onde o futebol é de verdade

Percebe-se que o “futebol moderno” está matando o prazer de gostar do jogo quando, ao chegar no estádio, toda a movimentação no entorno, incluindo caminhões e parafernálias, tem a ver com o show do Exaltasamba que ocorreria à noite no ginásio do clube.

Depois de ultrapassar a dificuldade de conseguir um ingresso – na bilheteria do Olaria não se sabia do jogo – bilhetes apenas para o supracitado espetáculo musical -, na arquibancada deparei-me com um público animado.

Fala-se que as famílias estão afastadas dos campos, mas boa parte das cerca de 350 pessoas que viram o clássico se encaixava no perfil, seja porque sócios que foram à estreia, seja porque familiares de atletas, seja porque frequentadores de outras atividades.

Do jogo em si, pouco destaco. Sob um sol tipicamente carioca, o ritmo foi de pelada solteiros x casados – com alguns jogadores com físico equivalente. Faltaram as típicas jogadas mais, digamos, duras. Diante de um lance “bola pro mato que o jogo é de campeonato”, ouvi:

Assim é que eu gosto!

O que havia para assistir estava fora das quatro linhas. Eram dezenas de pessoas com a camisa azul e branca. Mesmo com o seu setor original fechado, as organizadas  (sim, havia ao menos duas) do Olaria mostraram-se animadas, emulando gritos das torcidas dos “grandes”, que por sua vez emulam os de outras…

Olê, olê, olê, ola, -ria, -ria

ou

Sou Olaria, a, a, a…

Uma viagem pelo Rio

Torcer também é uma arte

Na quentura do cimento, a atenção dada à social rivalizava com a concedida ao jogo. Senhores contando questões cotidianas uns aos outros, jovens com o olhar interessado em outros cantos da Bariri e a calcinha de renda duma torcedora mais à vontade eram distrações.

Mas, as estrelas não foram esquecidas: desconhecidos, os atletas eram citados, raramente de modo elogioso, pelos números; a questão “Qual o nome do técnico olariense?” passou por uma dúzia de pessoas sem ser respondida. E o juiz ouviu a certa altura, para riso geral:

Ô meu querido! Meu querido! Vai tomar nesse cu!

Alguns erros bisonhos de passe e finalização e muito calor depois – além de um início de briga entre torcedores de Olaria e Madureira (cuja ausência da charanga foi sentida pela turma olariense) cessado ao estouro de uma bombinha -, o gol da vitória azul.

A família do goleador vibrou no alambrado – “Já é o artilheiro do campeonato”, soltou jocosamente o pai, acompanhado de filha, neta e agregados. A mãe estava na Igreja. No placar manual (diante do inútil eletrônico), o gandula sofreu, como o time, para tirar o zero.

Uma viagem pelo Rio

Placar manual 1 x 0 Placar eletrônico

A torcida do Olaria aplaudiu a saída dos atletas. Fora, uma confusão de carros, flanelinhas e já uma grande fila, especialmente de adolescentes, aguardava para o tal show. Os atletas do Tricolor suburbano deixavam quase incógnitos a Bariri, não fossem a kombi do clube e ônibus de viagem.

De chinelo de dedo, entrei pela noite satisfeito após um típico programa carioca. Futebol de verdade.

Abraço,

[Sicrano]

P.s.1: post dedicado ao sócio [Bigode].

P.s.2: claro que, clicando nas imagenzinhas, surpresinhas…

P.s.3: uma das faixas da torcida do Olaria tinha escrita, apenas, a expressão  “Ideologia olariense”. Ainda reflito sobre todas as suas nuances.

P.s.4: quer coisa mais futebol de verdade do que estádio em que a bola ainda pode cair na rua após um chute mais forte? Viva Bariri, Conselheiro Galvão, Moça Bonita, Teixeira de Castro, Luso-Brasileiro, Figueira de Melo e tantos outros!

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7 Responses to Da ideologia olariense ao futebol de verdade

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  2. Victor (Pela Rua) says:

    Estou ansioso para que marquemos uma ida a um desses Estádios onde ainda se pode ver futebol de verdade. Espera só a pronta recuperação do nosso centroavante de Bigode, porque eu quero time completo!
    Abraços

    • Pau na Mesa says:

      Salve, certamente. Vamos combinar isso, sim. Em busca do futebol de verdade perdido! Hehe, o centroavante já se prepara para voltar a ser relacionado.

      Abraço,

      [Sicrano]

  3. Pau na Mesa says:

    Depois do Umbigo Makeover, tô voltando de sopinha em sopinha…

    Muito obrigado pela homenagem,

    [Bigode]

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